segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Estilos Contemporâneos: House Dance



     No início dos anos 80, a House Music surge em Chicago (EUA) através de uma vertente da Disco Music e do Eletro Pop dos anos 70, utilizando baterias eletrônicas e alguns recursos eletrônicos tornando a música algo diferente inclusive na forma de dançar.   Um dos locais mais badalados da época, onde surgiu esta forma de misturar estes estilos, foi a Warehouse, que posteriormente geraria o nome House devido a grande procura de discos que tocavam músicas desta casa noturna.
    Dois DJ's que tiveram grande projeção neste início, e considerados como elementos chaves para firmarem este estilo musical, foram Frankie Knuckles e Tony Humphries, tidos para muitos como "pais" da House Music, além de Brian Green e Space Capitol.
    A House Music caracteriza-se por uma batida de 4/4 tempos, gerada por uma chamada  "caixa de ritmos" (também conhecida como Máquina de ritmos ou Drum Machine, que na realidade são sintetizadores munidos de um sequenciador que permite a criação e reprodução de modelos rítmicos, que podem depois ser encadeados de modo a executar toda a parte rítmica de uma música.), acrescidas de "samplers", alguns vocais e instrumentos de outras músicas.   Com isso vemos diversas fontes de som sendo utilizadas, havendo uma linha sequencial eletrônica contínua que caracterizaria este estilo.
     Outra característica comum  na House Music são os Batimentos Por Minuto, que variam hoje em dia entre 118 e 135 BPM, sendo que estas, nos primeiros anos, eram mais lentas.  Os maiores produtores deste estilo musical são a Itália, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos.
     Atualmente existem muitas sub-vertentes da House Music, tais como: funky-house, techno-house, disco-house, progressive house, electro-house, acid house, soulful house, neo-jazz-house, dentre outros.
    Ao final da década de 1980, a música House geraria uma forma diferenciada de dançar este ritmo, esta forma de dançar, ficou conhecida inicialmente como Jacking.   Hoje a House Music gerou uma maneira própria de dançar com base em várias influências e em várias técnicas básicas de alguns estilos de dança.
   Segundo Santiago Freeman, diretor fundador do Projeto Dance Warrior: "O Hip Hop tem sido o centro das atenções no cenário das danças urbanas e em muitos momentos a House Dance o acompanhou ao ponto de muitos confundirem ambas, mas hoje, esta possui uma forma própria com alma e corpo, e se proliferando como uma nova tendência."
    A House Dance, assim como toda e qualquer dança, tem suas dificuldades técnicas, mas a principal delas é o acompanhamento do ritmo com as marcações de pés e pequenos deslocamentos.   Não podemos classificá-la como fácil ou difícil, uma vez que toda e qualquer dança tem suas dificuldades, basta que se faça uso das técnicas adequadas e de uma sensibilidade aguçada para expressar seus movimentos através do corpo para não transformá-las em simples movimentos sem emoções.
     O principal princípio básico que percebemos neste estilo, são os contratempos (conhecidos como Up Time), tendo movimentações de pernas comuns aos do sapateado americano (Taps) chamados de footworks, pequenos saltos com afastamentos de pernas comuns em alguns estilos de dança de salão e, por vezes movimentos de chão semelhantes aos de B-Boys e Capoeiristas (segundo alguns praticantes).
     Até alguns anos atrás o House Dance era predominantemente solo, ou seja, dançado isoladamente, ou em poucos casos, em duplas.   Com o novo surgimento deste estilo na virada do século 20, vemos alguns grupos montando coreografias e inclusive levando para palcos, trazendo à tona um estilo adormecido e que aparece como uma nova tendência dentro das danças populares (ou dança urbana, quem assim o preferir).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Rótulos na Dança de Rua, modismo ou necessidade?

     Fico me perguntando porque a Dança de Rua moderna está tendo a necessidade de colocar nomes em "novos" estilos que vem surgindo?  Porque as pessoas vão aos estilos antigos, colocam elementos novos e "batizam" com outro nome?
     Tiremos como exemplo o estilo Wacking, que nada mais é que o Locking em que os homossexuais masculinos por terem sidos discriminados por não fazerem da mesma maneira que a técnica tradicional, acrescentado trejeitos tido como afeminados e posteriormente acrescentando elementos do estilo Vogue, poses e trejeitos "gays" e/ou exageradamente femininos, rotularam como um estilo novo.   Concordo que seja algo diferente, mas aproveito para que as pessoas repensem um dos princípios que norteiam (implicitamente) a Dança de Rua, que é o de acrescentar elementos do cotidiano e de outros estilos de dança as coreografias.  
      Se começarmos a rotular cada estilo que aparece, como House, Ragga, Street Beat, Cardio Funk e muitos outros, não estaríamos descaracterizando a Dança de Rua e não estaria com isso tornando cada estilo uma dança academica com propriedades específicas?
      Na verdade a minha maior angústia quando vejo novos estilos aparecendo é que, muitos dançarinos excelentes aproveitam-se do modismo que parece tomar conta do Hip Hop moderno para divulgar coisas nem são tão novas assim (somente com uma roupagem um pouco diferente do que em algumas épocas surgiram e/ou depois desapareceram) e as pessoas digerirem isto sem quaisquer conhecimentos aprofundados, ou pior, se "especializarem" nestes novos rótulos e não oportunizarem adquirir novos conhecimentos e ainda assim se dizerem dançarinos de Dança de Rua.
       Com isso faço novamente a pergunta título deste artigo: Modismo ou Necessidade?   Pergunto, porque muitos estilos parecem aparecer, vender novos ícones, estes ganham dinheiro e depois somem para dar espaço para um novo estilo... e, necessidade, porque parece que alguns estilos aparecem e tem a necessidade de se criar uma identidade caracterizando um determinado grupo que se especializou nesta nova tendência.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Livro: Letramentos de Reexistência - Poesia, Grafite, Música, Dança - Hip Hop

     O livro de Ana Lúcia Silva Souza aponta para a diversidade de práticas letradas que conformam a realidade brasileira e confronta as grandes desigualdades existentes entre grupos, segundo sua origem social, escolaridade, inserção profissional, faixa etária, gênero, raça. 
   Mostra também que a compreensão dessa complexidade e, principalmente, as possibilidades de mudança nas práticas letradas dos sujeitos são reais.
     Ana Lúcia Silva Souza demonstra aqui a complexidade dos letramentos quando em meio a atividades culturais e políticas, nas interações por meio da linguagem no movimento cultural hip-hop, ela se alia a sujeitos que descobrem, localizam, apontam, propõem, agem e ensinam outros a agir.  Nesse movimento, eles reinventam e conjugam os letramentos da vida e o da escola.  
     Desse modo, em Letramentos de reexistência, vemos uma escola contestada, mas também deslocada a favor dos jovens, quando eles conseguem repensar e atribuir sentidos sociais à instituição.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Livro: Dança de Rua: Corpos para além do movimento

    Utilizando-se de ricas fontes, entremeando depoimentos, imagens, referências de filmes e da imprensa escrita, o autor Rafael Guarato consegue equilibrar a necessidade de distanciamento do historiador em relação a objetos muito próximos de seu convívio e paixão também necessária para expor com poesia os sentimentos, o movimento e a linguagem corporal presente na estética da dança.
        O livro traz reflexões acerca das transformações estéticas e sócio-culturais na dança de rua ao longo de sua existência, abrangendo a importância de tal prática no cotidiano dos sujeitos que a praticam, suas imbricações com outras formas de dança e suas relações com os veículos de comunicação de massa. Bem como abrange discussões pertinentes ao hip hop, jazz, funk e street dance; por meio de uma nova e diferente forma de pesquisa em dança pelos caminhos traçados pela história cultural.

Livro: Dança de Rua

      O livro de autoria de Ana Cristina Ribeiro Silva e Ricardo Cardoso não é um livro didático em termos de Dança de Rua, mas é uma das poucas existentes no país e deve ser olhado com bons olhos, tendo em vista que poucos se "habilitam" a fazer.
     Dança de Rua vai além de um título, é arte, é vida, é cultura que nasce nas ruas. Vai além de um simples manual sobre "Aprenda a dançar Hip Hop", envolve arte, cultura e história de muitas vidas que se transformaram. Estuda uma das maiores manifestações culturais, que influenciou e influencia a juventude do mundo inteiro, o Hip Hop.

       Apresenta pessoas que nunca imaginaram percorrer o mundo, mostrando uma cultura que nasceu em um bairro pobre, nos Estados Unidos da América, espalhando-se por todo o país e para fora dele. Pessoas que se dedicaram em demonstrar que os guetos eram e são um depósito de talentos.

Livro: O grito do Hip Hop

     Morando em uma favela lá pros lados do Capão Redondo, periferia de São Paulo, Toninho leva uma vida difícil. Órfão desde muito cedo, trabalha para ajudar sua mãe e sua irmã, convivendo diariamente com a pobreza, o desemprego, a criminalidade. 
     Nem por isso deixa de se divertir. Com seus amigos Gera e Beó adora pichar muros e paredes, deixando a marca da turma pela cidade. A alegria rápida do spray, contudo, vai perdendo a graça à medida que Toninho entra em contato com ativistas do movimento hip hop (rappers, grafiteiros, educadores).
      Neste livro, você vai acompanhar os passos dessa descoberta, o percurso de um grito que nasce da indignação.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Livro: Hip Hop à lápis - Literatura do oprimido

      Este é um livro (segundo os autores) para ficar guardado na estante. Por que se sair de lá, vai mexer com você. 
     Ousado, polêmico, desafiador, reflexivo, instigante, inteligente… É isto que encontrará nas 272 páginas do livro Hip-Hop a Lápis – A Literatura do Oprimido.
     O segundo livro da série produzida pelo Ponto de Cultura Hip-Hop a Lápis. Com diversidade de temas e abordagens dos 60 autores de todos os cantos, cores e escolaridades mas com uma coisa em comum, a paixão pelo Hip-Hop e pela literatura. Os rappers, nomes conhecidos, os pesquisadores, os leitores, os fãs, todos juntos e misturados.